E menos de 40% chegam aos 5 anos de atividades.
Sei bem como é estar dos dois lados dessa estatística. Já quebrei empresa, já vendi empresa e também tenho um restaurante fast-food que está há 15 anos no mercado. Já experimentei o sabor da vitória e o amargor da falência – e aprendi lições valiosas.
Nesta edição da newsletter, quero compartilhar um pouco da minha experiência empresarial. Sem enrolação e sem linguagem técnica excessiva. Apenas minha vivência real, com acertos e erros que podem ajudar quem está nessa jornada.
Ah, antes de continuar, vale lembrar que os dados apresentados são facilmente encontrados na internet, em pesquisas do IBGE, SEBRAE e ABRASEL, entre outras fontes. Se alguém quiser os links, é só avisar nos comentários que eu envio.
Bora lá então!
2 tipos de empreendedorismo
Ter um negócio próprio é o sonho de muitos brasileiros, mas nem todo mundo começa da mesma forma. Basicamente, existem dois tipos de empreendedorismo:
Empreendedorismo por oportunidade: surge quando uma pessoa identifica uma demanda no mercado e cria um negócio para atendê-la. Aqui, há planejamento, análise e uma estratégia mais estruturada.
Empreendedorismo por necessidade: acontece quando alguém, sem renda fixa e sem conseguir um emprego formal, abre um negócio por sobrevivência. Nesse caso, o objetivo principal não é inovar ou crescer, mas gerar sustento imediato.
Os estudos mostram que renda e escolaridade estão diretamente ligadas ao tipo de empreendedorismo e, consequentemente, à taxa de sucesso dos negócios. Se com planejamento já dificílimo, imagina para quem empreende por necessidade, sem preparo ou conhecimento. Os desafios serão muito maiores.
Mas independentemente do motivo que levou alguém a empreender, uma coisa é certa: toda empresa existe para resolver um problema. Se ela não resolve nada – ou resolve mal – está fadada ao fracasso.
Em 2009 eu estava trabalhando no (ou na) ITSU e planejava abrir um restaurante inspirado nessa minha experiência.
Trabalhei em algumas unidades dessa rede, aprendi bastante e fiz alguns amigos. Em especial o indiano Arul - que, infelizmente, perdi o contato - e a polonesa Sylvia - que volta e meia falamos orgulhosos sobre filhos. Confesso que fico com uma certa vergonha ao comparar alguns aspectos do Brasil e Polônia mas não vem ao caso (nesse texto).
Como comentei na primeira newsletter, acabei decidindo por abrir uma franquia da Subway
Com o meu super sócio Diego, planejamos meu retorno pro Brasil e decidimos - após muita pesquisa - montar uma unidade em Santa Maria/RS. Jamais esquecerei desse período. Me veio à cabeça uma breve conversa que tive com o saudoso Ibsen Pinheiro, quando a Glorinha (mãe do Diego e uma pessoa única, minha super apoiadora e incentivadora) nos apresentou. Ao comentar da sociedade com meu amigo ele prontamente disse:
- Pena que uma amizade tão bonita assim vai acabar!
Fiquei constrangido e sem saber o que falar. Mas tenho certeza que a sociedade dura até hoje muito por causa dessa frase. Entendemos bem o que ele quis dizer e temos nosso acordo de sócios - e de convivência - inspirados nessa frase.
A escolha do ponto comercial foi fator crucial para tamanho sucesso. A cidade não possuía nenhum Shopping Center de fundamento - como dizem por aqui. Havia um em construção e quase por ser inaugurado. Achei que era lá o local ideal mas o D.A. (development agent - o agente de desenvolvimento da Subway) em visita pessoal, me proibiu de abrir a unidade lá.
Comecei a caminhar pelas principais ruas da cidade pois eu não conhecia nada. Conversei com atendentes de lojas, caixas, proprietários, taxistas e todo mundo que desse ouvidos. Coletei muitas informações, valores de alugueis e acabei apostando num ponto que hoje considero uma joia preciosa!
Ponto aprovado, contratos assinados, arquiteta contratada e a equipe da obra civil definida. Partimos para as compras de materiais, utensílios e equipamentos. Encaramos a obra, que sempre é dura e complicada - ainda mais na primeira vez…
Com todo o tesão do mundo, recrutei, selecionei e treinei a melhor equipe que uma empresa poderia ter. Jovens interessados e com muito potencial (alguns são meus amigos até hoje). Vou conversar com eles e chamar para participarem de alguma edição desse projeto da newsletter.
Subway inaugurada, fila saindo pela porta e dobrando a esquina.
Sucesso total!
Notícias sobre o boom do pólo naval da cidade Rio Grande/RS tomavam conta do noticiário. Lula era o presidente do Brasil. No momento que escrevo esse texto (março de 2025) ele está novamente “governando” nosso país.
Decidimos que seria outra excelente oportunidade. A Subway estava no início de sua expansão no Brasil e a cidade pretendida vivia um momento sem precedentes. Sabíamos que seria outra tacada!
Observe que, até o momento, as ações empreendedoras se deram por oportunidades!
A unidade de Santa Maria ainda estava em fase de consolidação, menos de 2 anos, mesma idade das minhas filhas gêmeas. Sem família na cidade, deixava minha esposa e filhas e saía para buscar o ponto comercial para a nova operação.
Sem conhecer nada em Rio Grande, segui exatamente a mesma fórmula que deu resultado na escolha do primeiro ponto comercial. Conversei com muita gente e ficamos entre 2 prováveis locais. Decidimos por reformar uma casa antiga - O Casarão dos Ballester.
Nova obra, mesmos processos, mesmo produto e novas pessoas.
Subway inaugurada e fila saindo pela porta - dessa vez não dobrou a esquina porque a quadra é imensa, mas foi gigantesca.
Outro sucesso total!
Confiança nas alturas, fluxo de caixa mais do que saudável, família feliz e sociedade nota 10.
O que poderia dar errado? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Hoje eu dou risada daquele jovem ingênuo…
Antes de iniciar a parte onde a coisa vai tomar um ar de dramaticidade, preciso pedir seu apoio para compartilhar esse texto com algum empreendedor que possa se interessar em acompanhar essa saga.
Como o Casarão possui 2 andares e a Subway estava no andar térreo, o proprietário do imóvel seguidamente estava por lá. Papo e vai e papo vem, embalados pelo sucesso de duas empresas super lucrativas, decidimos que iríamos aproveitar o andar de cima para abrir nossa terceira empresa - uma franquia da AMBEV - o Quiosque Chopp Brahma.
Com a confiança acima do ideal, decidimos realizar um investimento acima do indicado. Contratamos um profissional super especializado para ajudar na reforma da escada histórica do casarão, outro artista plástico para reproduzir barris de chopp e fazer a decoração no teto e etc. Criamos um palco, pois a ideia era oferecer shows de música ao vivo.
Outra obra, novos processos, novos produtos e mais pessoas.
Quiosque Chopp Brahma inaugurado, casa lotada, sensação na cidade.
Terceiro sucesso!
O que poderia dar errado? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Brasil bombando, Rio Grande mais do que bombando, empresas se pagando e distribuindo lucro aos sócios. Em 3 anos e meio construímos um grupo empresarial que, nem nos meus melhores sonhos, havia sequer imaginado que um dia eu pudesse ter.
Mas nem tudo são flores!
Em Março de 2014, praticamente 1 ano após a inauguração do Quiosque, tem início a Operação Lava Jato. A previsão de 20 anos de crescimento foi interrompida com prisões e fechamentos de grandes empresas do pólo naval. A atividade econômica decaiu e o sonho naval afundou…
Milhares de trabalhadores (clientes) deixaram a cidade e o fluxo de caixa começou a reduzir.
Foi aí que começamos a tomar certas atitudes que, na época, pareciam corretas. Mas hoje, 10 anos depois, sabemos bem que foram erros desastrosos. Quase fomos à bancarrota.
Colocamos o Quiosque à venda e realocamos a Subway para um ponto com menor custo fixo.
Na edição da próxima semana detalharei as ações tomadas, os erros crassos que cometemos por falta de conhecimento e aprendizados que nem mesmo no MBA da Fundação Getúlio Vargas eu havia ouvido falar.
Me alonguei nesse texto de hoje e preciso saber se você gostou do tamanho e do conteúdo.
Lembro que estou completando 2 semanas e 3 edições de newsletter. Sua opinião, críticas e sugestões são imprescindíveis para o direcionamento do projeto.
Escreva nos comentários e vamos conversar! Obrigado pela atenção e até breve!



Também to curioso...
Já quero saber o restante da história