Essa newsletter é a sequência da edição da semana passada. Caso ainda não tenha lido, sugiro fortemente que clique nesse link para melhor entender essa história.
Quando o foco do nosso grupo empresarial se voltou para a região sul do estado do RS, me mudei de Santa Maria.
Escolhi Pelotas por julgar ser uma cidade com mais infraestrutura para aquele momento da minha família - minhas filhas tinham uns 4 aninhos de vida.
Sessenta quilômetros e uma estrada ainda não duplicada separavam minha casa até o casarão em Rio Grande. Um trecho prazeroso de percorrer naquele momento. Pra quem gosta de dirigir, a estrada é uma excelente oportunidade para reflexão.
Ainda no momento áureo do Quiosque, percebemos que sozinhos não conseguiríamos dar conta da gestão dos nossos múltiplos empreendimentos.
Buscamos apoio com consultorias do SEBRAE-RS. Um consultor local, com bagagem e histórico familiar de empreender em restaurantes, nos auxiliou com a parte financeira (principalmente cálculo e acompanhamento de CMV e DRE). Acabamos o contratando para ser nosso Gerente Geral nesse negócio. Hoje em dia ele possui seu próprio restaurante na Serra Gaúcha - Classe A+, por sinal!
Trabalhar a gestão do Quiosque me fez buscar conhecimentos que eu ainda não possuía:
Pesquisar, selecionar e “desenvolver” fornecedores específicos (peixes e frutos do mar, cortes de carne para atender o cardápio e suas mudanças, etc);
Recrutar, selecionar e treinar funcionários para cargos que eu não dominava (alguns não domino até hoje);
Trabalhar de noite, com bebida alcoólica e música ao vivo - mais tudo o que você pode imaginar que vem junto nesse pacote;
Gerir uma Cozinha complexa (para o meu mundo que, até então, era de fast-food), bar com drinks e barris de chopp (que requerem conhecimento e atenção especial);
Trabalhar com agência de marketing (dilema do bom, bonito e barato - os 3 nunca andam juntos).
A crise escancarou os problemas
Chegando ao momento da crise - advindo da Operação Lava-Jato - aprendi que todos erros e deficiências se tornam gritantes.
O sucesso esconde muita coisa - erros, carências e falta de conhecimento. Torna a visão turva e atrasa o desenvolvimento pessoal.
Naquele momento, eu, como empreendedor, cometi um erro que hoje considero clássico: “Vamos salvar o negócio!” (Obs.: as decisões e atitudes tomadas foram sempre em conjunto com o meu sócio).
O empreendedor é um visionário. Um guerreiro - por muitas vezes - solitário. Isso faz com que seja extremamente difícil tomadas de decisões baseadas apenas na frieza dos números. O emocional desperta a chama interna e o faz lutar e dar a vida pelo negócio.
Contratamos mais empréstimos bancários e estruturamos o almoço no Quisoque.
Isso exigiu:
Compra de equipamentos e utensílios adequados;
Mais mão de obra;
Mais insumos e mais gestão;
Mais envolvimento e horas trabalhadas — fisicamente e mentalmente.
Após uma década dessa atitude, vejo alguns negócios em fase de construção ou recém-inaugurados e me vem uma vontade de chamar o empreendedor e dizer:
Fecha o quanto antes. Encerra o negócio e perde o mínimo possível. Não inventa de querer salvar uma empresa que não tem salvação.
Quem lembra da febre das paletas mexicanas? Frozen yogurt?
Desenvolvi uma visão aguçada para modismos. E para cálculo mental de custos: só de pensar em 2 ou 3 números, não vejo como a última linha ser positiva. Meu Deus, como ajudar essas pessoas?
Aventureiros que, como eu, se metem de pato a ganso! Guerreiros que estão indo para uma batalha sem chance de vitória. É como o marido (ou esposa) traído que acaba sendo o último a saber…
Por isso o título da edição passada foi: Empresas são feitas para quebrar.
É estatística. Pular de um penhasco sem um paraquedas ou conhecimento de base jumping não vai te tornar um heroi. Você vai se arrebentar. Não é desejar o mal ou não incentivar.
E não vai ser um consultor, coach ou mentor de rede social que vai tirar um coelho da cartola e fazer mágica!
Obviamente existem empresas e pessoas extremamente competentes e, sim, podem ajudar. Mas muito cuidado com aqueles abutres que só querem um pedaço de carne podre. Vão te vender um produto ou serviço que vai apenas aumentar a conta a pagar…
Escrevo porque aconteceu comigo!
E não quero dizer para as pessoas não empreenderem. Até porque julgo o empreendedorismo como uma excelente forma de se obter liberdade através da resolução de problemas e consequente geração de riqueza. Interprete e entenda como bem desejar - e fique bem à vontade para expressar sua opinião e comentários.
Quero apenas deixar bem claro que cometi um erro que me custou uma década e vejo muita gente cometendo o mesmo erro!
Retomando aquelas pesquisas sobre mortalidade de empresas citadas na edição anterior, as “causas mortis” (me permitindo uma pitada grosseira de liberdade poética e assassinando o latim, hehehe) são bem mapeadas:
Comportamento empreendedor inadequado
Falta de conhecimento em gestão empresarial
Erro na escolha do ponto comercial
Custos operacionais elevados
Cada item desses possui “n” subdivisões - as quais desejo ir comentando durante essa e outras edições.
O que mais me incomoda é saber que a grande maioria dos empreendedores não conhecem os números do seu próprio negócio. Sabem quanto vendem mas não utilizam ferramentas adequadas para se calcular o resultado. E, nesse caso, a ferramenta pode ser um lápis e um caderno.
Eu fui assim.
E não é fácil. Nada fácil. O empreendedor inicia sua jornada sendo a pessoa que faz tudo. O que mais tem conhecimento e comprometimento dentro da sua empresa. É o seu melhor funcionário…
Que fique bem claro que estou generalizando. A intenção é alertar para que, aqueles que lerem esses textos, abram os olhos e busquem conhecimentos específicos para as suas empresas. Mas existem dores que são comuns a nós, empreendedores.
Ainda mais para micro e pequenas empresas.
Não podemos sair contratando o Messi e o Cristiano Ronaldo. Precisamos fazer o melhor com o que temos. Ainda mais no início do desenvolvimento da empresa. E, geralmente, estaremos envolvidos em todos os setores da empresa.
É como cuidar de um grande jardim: enquanto estamos cuidando de um lado, as ervas daninhas estão crescendo de outro. O trabalho é constante. Onde colocamos nosso foco, percebemos melhorias. Ficamos com a sensação de que as coisas só são bem feitas se nós mesmos fizermos.
Apesar de parecer verdade, não podemos nos tornar escravos de nossa própria empresa. Precisamos adquirir as habilidades necessárias para o negócio funcionar sem depender exclusivamente de nossa presença. E é aí que a porca torce o rabo…
Precisamos trocar o pneu com o carro andando!
Quem ensina isso? Muitas habilidades e conhecimentos são adquiridos com outras pessoas e estudos. Me lembro dos primeiros dias na minha primeira empresa quando eu não tinha criado o processo de fechamento de caixa e posterior conciliação. Apesar de ter estudado sobre fluxo de caixa, ninguém jamais havia me ensinado sobre como fazer essas atividades essenciais.
Como criar uma rotina de fechamento de caixa? Questões de segurança para a operação e para o armazenamento e depósito bancário do dinheiro vivo recebido? Melhores horários e como não criar rotina de depósito para evitar possíveis assaltos?
Existem coisas que só a vida ensina!
E então, o que você achou da newsletter desta semana?
Já trocamos algumas ideias no chat e está sendo muito proveitoso. Cada vez mais cresce a possibilidade de sair algum negócio real.
Você já cometeu algum erro achando que estava fazendo a coisa certa?
Gostaria de te escutar para continuarmos evoluindo juntos. Deixe seus comentários abaixo. Eles são combustível para esta jornada. Lembrando que estou sempre à disposição para qualquer dúvida, crítica ou sugestão!




Sai da Latam, onde trabalhei por 24 anos e alguns meses e percebi muito disso que tu escreveu, gente que abriu e fechou negócios, gente que prosperou, gente que quebrou. Em 2010 acabei o curso de Turismo e uma das cadeiras era justamente sobre, como abrir um negocio, esrudo de ponto, concorrência direta e indireta, e outras coisas mais. Eu e a mulher fizemos um "brainstorm" lá por 2012/13 sobre o que poderíamos abrir, estávamos com uma grana boa, e queimamos os neurônios sobre um possível negócio, franquia? algo original?? uma franquia original??? governo Dilma a todo vapor, resolvemos não colocar a mão no vespeiro, e acabamos construindo uma casa, enterramos nosso dinheiro literalmente, na época foi a solução mais sensata, e concordamos com isso até hoje. A casa é nossa ainda e está alugada, valorizou uma 4 vezes, e sabe-se la o que teria acontecido se resolvessmos nos aventurar no mundo dos negócios, poderia ter dado certo? quem sabe?